Se você vive no Brasil, é quase impossível que nunca tenha cruzado com a marca Positivo. Talvez tenha sido o primeiro computador da família nos anos 2000, um tablet educacional na escola do seu filho, ou, mais recentemente, uma lâmpada inteligente que você controla pelo celular. A Positivo Tecnologia é uma daquelas onipresenças nacionais que, muitas vezes, não recebem o crédito devido pela sua complexidade e resiliência.
Esqueça por um momento a imagem antiga de apenas “computadores básicos”. A empresa fundada por Helio Rotenberg em Curitiba passou por uma metamorfose silenciosa, mas profunda, tornando-se um gigante que opera desde a urna eletrônica que garante nossa democracia até servidores de alta performance que processam dados bancários.
De Uma Sala de Aula para a Bolsa de Valores
A história começa de forma inusitada: não em uma garagem no Vale do Silício, mas em uma sala de aula no Paraná. Originalmente, a divisão de tecnologia nasceu em 1989 para suprir uma necessidade do Grupo Positivo, focado em educação. A ideia era criar softwares educativos, mas logo perceberam que faltava hardware acessível no mercado brasileiro para rodar esses programas.
Foi essa lacuna que Helio Rotenberg, com uma visão pragmática, decidiu preencher. A Positivo Brasil não tentou reinventar a roda; ela tentou democratizá-la. Durante o “boom” da classe C nos anos 2000, foi a Positivo que colocou o primeiro PC em milhões de lares brasileiros, muitas vezes parcelado em inúmeras vezes no varejo. Essa estratégia de volume e capilaridade permitiu que a empresa enfrentasse gigantes internacionais como HP e Dell em solo nacional — e vencesse muitas batalhas.
O Quebra-Cabeça das Marcas: Entendendo o Portfólio
Muitos consumidores ainda se confundem sobre o que a Positivo realmente fabrica. A resposta curta? Quase tudo. A empresa adotou uma estratégia de “marcas múltiplas” para atender a diferentes públicos sem carregar o estigma de “marca de entrada” para produtos premium.
Vamos decifrar esse ecossistema:
Positivo: A marca mãe continua focada no custo-benefício. Os notebooks Positivo modernos, como a linha Motion, são desenhados para tarefas essenciais — estudar, navegar na web e editar textos. São as máquinas de combate do dia a dia.
VAIO e Compaq: Aqui está o “pulo do gato”. A Positivo fabrica e comercializa essas marcas globais no Brasil. Se você compra um VAIO hoje, está levando a engenharia japonesa, mas com a operação e suporte da Positivo. Isso permitiu à empresa entrar no segmento premium e corporativo com credibilidade instantânea.
Infinix: Recentemente, a empresa trouxe a gigante chinesa de smartphones Infinix para o Brasil. Focada em aparelhos com muito armazenamento e performance para jogos a preços agressivos, essa parceria visa morder uma fatia do mercado dominado por Samsung e Motorola.
2A.M.: Uma resposta direta ao público gamer, que exige performance bruta e não se contenta com o básico.
A Revolução da Casa Inteligente
Talvez a jogada mais astuta de Rotenberg nos últimos anos tenha sido a criação da Positivo Casa Inteligente. Percebendo que a “Internet das Coisas” (IoT) era o futuro, a empresa lançou uma linha de lâmpadas, tomadas e câmeras Wi-Fi fáceis de instalar.
O brilhantismo aqui não está na tecnologia em si, que já existia, mas na acessibilidade. Eles tiraram a automação residencial do nicho de luxo e a colocaram nas prateleiras de supermercados e home centers, com preços que convidam à experimentação. Hoje, é provável que a “porta de entrada” de um novo cliente para a marca não seja mais um notebook, mas sim uma Smart Lâmpada de trinta reais.
O Braço Invisível: Governo e Empresas
Enquanto o consumidor vê os produtos nas lojas, a verdadeira alavanca financeira da Positivo Tecnologia muitas vezes opera nos bastidores. A empresa é uma parceira estratégica do Estado brasileiro, sendo responsável, por exemplo, pela fabricação das novas urnas eletrônicas.
Além disso, a divisão de servidores e soluções de pagamento (as maquininhas de cartão) cresceu exponencialmente. Essa diversificação é vital: ela protege a empresa das oscilações do varejo. Se as vendas de computadores caem porque o dólar subiu, os contratos corporativos e governamentais mantêm a estabilidade do transatlântico.
Vale a Pena Apostar na Marca Brasileira de Computadores?
A Positivo de hoje não é a mesma de dez anos atrás. A empresa amadureceu, diversificou e, acima de tudo, entendeu seu lugar no mercado. Ela não tenta ser a Apple; ela quer ser a solução viável e inteligente para a realidade brasileira.
Seja através de um smartphone Infinix robusto, de um notebook VAIO elegante para o escritório ou de uma câmera de segurança para sua casa, a marca prova que a tecnologia nacional pode ser competitiva, adaptável e surpreendentemente inovadora.
E você, qual sua experiência com a Positivo?
Você faz parte do time que teve o primeiro computador da marca ou já está automatizando sua casa com as soluções inteligentes deles? Conte para nós nos comentários abaixo como a tecnologia brasileira impacta sua rotina!